ARQUITETURA E CULTURA · POMPEIA
Sesc Pompeia e os usos de uma antiga fábrica
Galpões preservados, torres esportivas e um córrego sob o terreno ajudam a entender o projeto de Lina Bo Bardi e sua relação com o bairro.

O Sesc Pompeia reúne duas partes construídas em momentos diferentes. Os antigos galpões industriais foram adaptados para receber atividades culturais e de convivência, inauguradas em 1982. O conjunto esportivo, com torres de concreto e passarelas, entrou em funcionamento em 1986. A diferença entre essas estruturas é uma das chaves para conhecer o lugar.
A fábrica foi construída em 1938 pela Mauser & Cia. e adquirida, em 1945, pela Indústria Brasileira de Embalagens, fabricante de tambores. A história é apresentada pelo próprio Sesc na série documental Tijolo por Tijolo. O uso cultural posterior preservou marcas dessa origem, em vez de substituí-las por um edifício inteiramente novo.
A fábrica permanece no projeto
A equipe liderada por Lina Bo Bardi partiu da recuperação da construção existente. Segundo o Sesc, a intervenção também manteve referências ao trabalho industrial em elementos menores, como os recipientes de lixo associados aos antigos tambores. A memória do lugar está, portanto, nos galpões e em escolhas de uso e desenho.
Para o visitante, vale observar como atividades diferentes ocupam essa estrutura. A agenda pode ser o motivo da ida, mas conhecer a arquitetura é outro percurso possível. Reservar parte da visita para olhar o conjunto ajuda a perceber a relação entre o edifício preservado e as partes acrescentadas.
As passarelas e o rio sob o terreno
No conjunto esportivo, dois blocos de concreto são ligados por quatro níveis de passarelas. A solução reúne os espaços destinados às atividades físicas e tornou-se uma das imagens mais conhecidas da unidade.
Há também uma condição do terreno que costuma passar despercebida. O córrego Água Preta atravessa a área por galerias subterrâneas. Na história do projeto publicada pelo Sesc, o trajeto do curso d’água foi considerado pela equipe de arquitetura. Sobre a faixa em que não se podia construir, foi instalado o Deck Solarium.
O deck permite ler o espaço além da aparência das torres. Parte da configuração do conjunto responde a uma água que não está à vista. O mesmo córrego ajuda a conectar a história do Sesc à de outras áreas da Pompeia, incluindo a Praça da Nascente.
Como começar a visita
Uma primeira visita pode combinar a programação escolhida com a observação dos galpões, do conjunto esportivo e do deck, conforme o acesso permitido no dia. Nem todos os espaços e atividades têm as mesmas regras. Cursos, espetáculos e práticas esportivas podem exigir ingresso, inscrição ou credencial.
Consultar a página da unidade antes de sair evita confundir acesso ao equipamento com participação nas atividades. O interesse do Sesc Pompeia está também nessa combinação: uma construção com história industrial que continua recebendo usos culturais e esportivos distintos.
Conheça o Terra Mamma













