NATUREZA E CIDADE · VILA POMPEIA
A praça que revelou as águas da Pompeia
A mobilização do Ocupe & Abrace mudou o nome e o uso da Praça Homero Silva. Sua história mostra o trabalho necessário para cuidar de uma área verde de bairro.

Em dezembro de 2013, o coletivo Ocupe & Abrace contou à revista LABVERDE um episódio pequeno da transformação da Praça Homero Silva. Alguém havia instalado uma placa pedindo que os frequentadores recolhessem a sujeira dos cães. O grupo respondeu colocando um suporte com sacos. A iniciativa partira de uma pessoa de fora do núcleo do coletivo: o cuidado começava a circular entre outros moradores.
Naquele ano, a praça da Pompeia já era chamada de Praça da Nascente. O nome escolhido pelos participantes chamava atenção para águas que a paisagem urbana tornara pouco conhecidas. O córrego Água Preta, canalizado em grande parte de seu percurso, tem nascentes associadas à área da praça.
Como o cuidado saiu do papel
Na entrevista conduzida por José Otávio Lotufo, integrantes do Ocupe & Abrace explicaram que algumas pessoas se aproximaram ao conhecer o espaço; outras se encontraram no concurso de propostas “A Pompeia que se quer”, promovido pela plataforma Cidade Democrática. A recuperação da praça tornou-se uma tarefa comum.
O relato da época registra plantio de árvores frutíferas, horta comunitária, trabalho nas nascentes e festivais. São ações que ajudam a entender a mudança: a mobilização combinou intervenções no terreno com motivos para frequentá-lo.
Um registro de agosto de 2013 do projeto Células de Transformação dá outra medida desse trabalho. Havia placas sendo pintadas, uma escada de pneus em construção, mosaico em banco e continuidade da horta vertical. O artista Jaime Prades participou com uma pintura no muro. A transformação foi feita por tarefas identificáveis, com contribuições diferentes.
Uma história que exige continuidade
Os registros históricos não bastam para descrever as condições da praça hoje. Um artigo de 2024 do economista Vitor Meira França, reproduzido pelo Ministério Público de Mato Grosso, apontou problemas de conservação e discutiu a dificuldade de manter uma área verde sem recursos e zeladoria constantes.
Essa diferença entre mobilização e manutenção evita uma leitura fácil da história. Mutirões podem recuperar usos e criar vínculos; a conservação continua exigindo atuação pública, acompanhamento e trabalho ao longo do tempo. A experiência da Praça da Nascente merece ser conhecida também por essa tensão.
Para quem pretende conhecer o lugar, a história das águas e da participação dos moradores oferece um ponto de partida. Atividades, caminhos e condições de acesso devem ser conferidos nos canais do coletivo antes do passeio. A visita pode ajudar a compreender o território, sem pressupor que tudo o que aparece nos registros antigos permaneça da mesma forma.
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