TEATRO E CRIAÇÃO · SUMARÉ
O teatro sob as ruas do Sumaré
Idealizado por Ricardo Karman, o Centro da Terra nasceu de dez anos de escavações e mantém uma programação ligada à pesquisa artística.

Doze metros abaixo da superfície, o teatro do Centro da Terra ocupa o quarto e o quinto subsolos de um edifício no Sumaré. A localização explica parte do nome e uma das particularidades do espaço. Sua história oficial registra dez anos de obras e escavações até a inauguração, em 3 de setembro de 2001.
O idealizador e construtor foi Ricardo Karman, fundador da Kompanhia do Centro da Terra. A sala foi preparada para cem pessoas. O acesso, segundo a instituição, pode ser feito por escadarias ou elevador. Esses dados ajudam a dimensionar um teatro que, visto apenas pelo endereço, poderia passar despercebido.
Uma companhia que saiu do palco convencional
A Kompanhia começou em 1989. Antes da abertura do teatro, já investigava relações entre cena, imagens e espaços pouco usuais. Em entrevista publicada pelo Itaú Cultural em 2018, a gestora Keren Ora Karman recuperou dois exemplos dessa trajetória.
Viagem ao Centro da Terra, de 1992, foi realizada em um túnel de obra interrompida. O espetáculo também deu nome à sede. Em A Grande Viagem de Merlin, a experiência incluía um deslocamento de São Paulo a Jundiaí, com o público em um caminhão adaptado. São projetos históricos que mostram por que o espaço mantém ligação com a experimentação.
Essa trajetória merece ser distinguida da agenda atual. Ela explica a formação do teatro, mas não indica que aqueles espetáculos estejam em cartaz. Para conhecer o que acontece hoje, o ponto de partida é a programação publicada pela instituição.
O que a curadoria procura
O Centro da Terra se apresenta como um espaço independente e sem fins lucrativos, criado e gerido pela Kompanhia. Seu foco inclui música, cinema, artes cênicas e visuais, com interesse por linguagem contemporânea e projetos que dialoguem com a pesquisa do grupo.
Na página institucional consultada, Alexandre Matias aparece como curador de música e Diogo Granato como curador de dança. A instituição descreve uma seleção que reúne artistas emergentes e consagrados, temporadas, remontagens e projetos especiais. O nome de um artista, portanto, pode vir acompanhado de uma proposta específica para aquele palco.
Escolher uma apresentação
Para uma primeira ida, vale ler a descrição da atividade antes de comprar o ingresso. Formato, classificação e duração ajudam a entender o que será apresentado. A escala da sala e o caráter de pesquisa do espaço são razões para considerar o Centro da Terra no repertório cultural da região, sem pressupor uma experiência igual em todas as noites.
A visita depende da programação e das condições de acesso de cada evento. O teatro reúne uma história arquitetônica incomum e uma trajetória artística documentada; escolher uma obra é a forma de conhecer como essa pesquisa continua em atividade.
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